é a alquimia da quimera

Meios para um fim.

Ele:

- Oh, Estagiária! Acompanha-me até à casa-de-banho que não sei onde fica.

Eu:

- O quê? Nem um café primeiro?

Ele:

- Sim! Queres ir comigo tomar café?

Eu:

- Wait, what? Estava a brincar!

Ele:

- E cinema?

Eu:

- Eu estava a brincar pa, larga-me.

Ele:

- Olha olha! Eu também!

(...)

Eu:

- Boa sorte, p aquela coisa.

Ele:

- Obrigado, liga para mim. Quer dizer, para o meu número. Quer dizer, vota em mim.

Eu:

(risos)

O momento em que trato os convidados por tu e gozo com eles, how badass.

itstillmakesnonsense:

verde—musgo:

and about what doesn’t hurt, about the flowers and about the trees and about what makes you happy. hard and clear.

itstillmakesnonsense:

verde—musgo:

and about what doesn’t hurt, about the flowers and about the trees and about what makes you happy. hard and clear.

(via seizeexistence)

Pára de escrever

embriaguezlirica:

Tudo muda quando os meus olhos ficam inundados de tristeza palpável e a única cura aceitável é a cegueira voluntária. Não quero ser capaz de fugir ao ruir mordaz que a gente que engraça sente, porque desta vez mais vale sentir para nunca mais cair.

E tudo são dolorosas armadilhas de quem (como eu…

chamadas tardias pt 2

tinha ido embora de vez e eu sabia que era a última vez que o via. foi uma noite agitada cheia de copos e magia a nadar em nada porque não havia quem nos aguentásse. nem me despedi dele, não disse adeus, não lhe dei um beijo nem a importância que este momento carecia. dei-lhe um empurrão no peito e disse “fica bem”, e isso ficou-lhe entalado.
não estava à espera de mais nada e evitei a todo o custo contactá-lo, para além de não o ver, também não falava com ele e nem o acompanhava nas loucuras por que passava, do outro lado.
constantes exibições de luxúria e festas e meninas bonitas eram feitas, chegavam-me aos ouvidos e eu, sempre me mantive impávida e serena (tal como lhe tinha dito que faria numa das nossas discussões pré-sexo).
não sentia saudades dele, nem dos fins-de-semana com ele, nem das noites com ele, nem do cheiro dele, nem das chamadas dele a meio da noite.
até hoje.
ontem, conforme disse, tive um café mariscada e contei, pela primeira vez, a história dele. e disse o porquê de nunca poder resultar, o porquê de ter acabado e o porquê de isto ser assim (“porque é assim que funciona”). não gostava dele, tão pouco tinha paciência para o aturar e, por isso, jamais seria uma coisa a repetir.
até hoje.
ligou-me. jamais esperaria que me ligasse, muito menos com aquele tom, aquela voz. pensei “ou está bêbedo ou precisa de alguma coisa” porque julgava ter deixado as coisas nesses termos. mas não. não só me ligou preocupado por não lhe dizer nada e por escrever tristes textos (acha ele), como me disse quando é que o encontrava de novo. com o coração meio mais derretido do que seria de esperar, confrontei-o com a nova vida, as novas festas e as novas garotas que por lá andavam. não sei se me mentiu se não, mas o facto de parecer sincero e genuíno é bom que baste. disse que queria voltar, pelo menos, a tempo dos meus anos para me ver porque sentia “relativa falta da tua presença”. fiquei de falar, combinar e voltar a estar. provavelmente menti, o dia não é hoje e o tempo não é este.
talvez amanhã, Salvador.

já não me lembrava disto

após uns quantos meses afastadas, juntámo-nos para um daqueles cafés. cafés do marisco (como lhes chamamos).
não se fala de mais nada do que sexo e folia. um grupo onde a grande maioria são raparigas, gays (nem que seja em parte).
e olhamos para trás.
a nossa mais púdica marisca, é agora a mais rebelde, mais sexual e mais apaixonada. é lindo. lembro-me de começarmos neste registo há uns quatro ou cinco anos (porque éramos todas "para a frente"!) e ela ficar chocada com as coisas do mundo. dizia que era demasiado para ela e que não se via a fazer nada disso. mal ela sabia.
é bom ver-nos crescidas, e pensar que se em algum momento eu era a mais afoita agora sou a mais calma.

frutado

és fruto das coisas que todos desconhecem e ninguém sabe.
é uma pena, até no cinema, as histórias não são tão complicadas.
e as memórias? oh, as memórias levaste-as contigo.
não consigo ser mais sincera que isto. és uma quimera mutante e é disso que tenho pena, de que, nem no cinema, isso exista dessa maneira.
sexta-feira e já não tenho solidão em mim, mas hoje que jaz a manhã de terça (porque as manhãs de terça eram sempre diferentes), a mente não acompanha que tu te findaste.
teatrais figuras desenhadas noite dentro para nos recordar que somos frutos que ninguém nunca conheceu. nem nós mesmos, ainda que adormecidos no cansaço que nos põe sorridentes, e de cabelo bonito.
e eu que tanto te tomei, e tanto quanto sei, me tornei produto teu. não para uso, mas para te orgulhares do que sabes criar.
podíamos ter sido mais, ou ter deixado correr menos, ou mais depressa. acabaríamos sempre assim, um fruto de mim.

(Fonte: lionandthesea, via peaceinhaler)

viagens

o amor é uma trapalhice viajante. traz consigo bagagens e esforça o miocárdio a guardar coisas do arco da velha.
foge para aqui e para acolá e nunca paira no mesmo sítio, ele está aqui e não está, vai estando e desaparece.
é um pedante alheio à nossa vontade. e quem diz amor, diz todos os outros sentimentos que guardamos, dentro da mala, no fundo do armário.
tenho alguma bagagem e é dito e sabido que o espaço é curto. em ordem de poder caber tudo neste pequeno espaço selado a duas fivelas, temos de ter o poder do reposicionamento. isto é, reposiciona-se uns por outros, o menos bom com o melhor. tira-se o velho e gasto qual trapo esfarrapado e troca-se por aquela camisola que tanto se gosta acabadinha de comprar.
nem tudo tem de ser novo e renovado, há casacos que duram para sempre, quais abrigos que não podem ser abdicados. mas outros? é tempo de ir andando.
podemos dá-las (não me serve a mim, mas se está bom e [ainda] se encontra em bom estado, sinto-me perfeitamente confortável a juntá-las a quem de direito);
podemos colocá-las junto das fotografias antigas e dos bilhetes de cinema que guardámos para mais tarde recordar (nunca se sabe, estas coisas da melancolia);
podemos redireccioná-las para o contentor mais próximo (há coisas que não têm emenda e já não estão em estado de servirem a alguém que se preze);
podemos guardá-las connosco até precisarmos de mais espaço.

e este é o momento em que preciso de mais espaço, de arrumar as malas para ver se cabe um outro e novo amor, ou amor nenhum. mas pelo menos, e por via de quaisquer dúvidas, tenho sempre um cantinho em aberto.

ou seja, se não te serve, entrega-o, não vá alguém precisar dele ou tu do espaço que te está a ocupar. se mesmo assim escolheres mantê-lo, não o te esqueças que o espaço é curto e deixas de dar o espaço a que mais apareçam. quantidade não é qualidade, mas certamente será experiência.
na eventualidade de ser a peça que queres e escolhes para completar a bagagem que carregas para trás e para diante, então não a deixes ganhar pó. vai na volta e ainda se estraga.

quando um para sempre é já ali e o sempre tem destino contado. o «para sempre» efémero que teima em aparecer em cada troca melodramática de afecto entre aqueles que não entendem que a eternidade não está ao alcance de todos.

faltava-me isto.

náufragos

quis ver-te chegar a bom porto, onde não carregasses mais cruzes nem te sentisses morto.
quis fazer esquecer-te de que os homens não trazem bagagem, mesmo quando navegam. mesmo quando embarcam noutra viagem.
por altos mares te levam os ventos que te agridem e não há quem te traga de volta. as cordas rompem-se, da voz e da poupa. não há quem grite por ti que já não tenha gritado, não há quem saiba de ti agora, que em algum momento já não tenha sabido. já não és novo, nem aqui, nem na china.
e no entanto envelheces. tu e as tuas manhas, as tuas fracas franquias de pescador de banheira. e lá ias tu, sempre sem enjoar. sem me enjoar.
sem as enjoar.
agora restam náufragos de ti e de todas as tuas interpessoalidades.
fica-te dado como desaparecido, fica-te bem a ausência.

crowded-sofa disse: Alô embriaguez, segui o teu lirismo. Belo tumblr, beijinhos.

yay, obrigada! idem. beijinhos

“Eles dizem que é impossível encontrar o amor
Sem perder a razão
Mas para quem tem pensamento forte
O impossível é só questão de opinião.
E disso os loucos sabem.”

—   Charlie Brown Jr.
se não é a cidade mais bonita do mundo, não sei